Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

             A alegria do feto santo


     Os piedosos e suplicantes benditos antoninos se foram. A música joanina está no ar. O negócio agora é com São João. Até a noite do santo Precursor, o forró vai comer solto nos quatro cantos do nordeste. Da Bahia ao Maranhão, só vai dar arrasta-pé. Alô, Campina grande!
     É sanfona, zabumba e triângulo pra tudo que é lado. E, pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, não me inventem outro instrumento, além da sanfona, do zabumba e do triângulo. Com eles, Luiz Gonzaga consagrou e eternizou o forró joanino.
     Agora é a vez dos sanfoneiros e dos forrozeiros. Dos baiões e marchinhas falando de fogos de artifício, de fogueiras, de balões, e não importa que eles tenham desaparecido do céu. Nas noites frias - "tão frias" - de junho, eles serão sempre lembrados, e com muita saudade.
     Que voltem os forrozeiros ao rádio e à televisão. Sejam eles bons; mais ou menos; sejam eles ruins. Tenham eles sanfonas de mil "baixos" ou de poucos "baixos". Até aquela harmônicazinha (?) acanhada e fanhosa serve. Ela também sacode os terreiros do sertão, nas noites de São Pedro e São João.
     Que voltem os forrozeiros e suas bandas, com músicas e letras inspiradas, inteligentes, descentes. Se me fosse dado o direito de lhes pedir um favor, este seria no sentido de que evitem letras imorais.

     Bastam as porcarias que se compõe e se canta nos carnavais; principalmente aqui em Salvador, que já foi o berço de belas canções.
     Costumo dizer, que o são-joão é uma festa pura, inocente. Afinal, é a festa do nascimento do santo do carneirinho, o primo de Jesus.
     A história de João Batista é cheia de surpresas. Sua chegada ao mundo foi anunciada por um arcanjo; e, homem feito, optou pelo mais rigoroso ascetismo. Saía do seu recolhimento, quebrava o seu silêncio, apenas para anunciar a vinda do Messias.  Teria sido essa sua principal atividade?
     A verdade é que foi o precursor até ser decapitado porque ousou censurar, publicamente, "o relacionamento indevido" do poderoso Herodes Antipas, Tetrarca da Galiléa, com Herodíades, mulher do seu irmão Filipe.
     Morreu no dia 29 de agosto do ano 31, e se sabe o fim que deram à sua cabeça.
     João foi o ascético seminu. Cobria-lhe o corpo uma pele de carneiro. Também não foi um glutão. Sujeitava-se a um estranho regime alimentar: comia mel e gafanhotos!
     Tudo isso é do pleno conhecimento dos que não veem em João Batista, apenas, o patrocinador de uma festa com muita música, de bebida solta, e comida farta. Por isso se diz que ele "é festejado como um um santo amável e dionisíaco".
     E seus pais? Falemos um pouco sobre Zacarias e Isabel. Quando João foi gerado e nasceu, eles eram dois velhinhos. Sim, dois velhinhos! Zacarias, um homem bom, reconhecendo-se um idoso, deve ter se assustado quando o arcanjo Gabriel avisou-lhe que sua Isabel estava grávida.Tanto que duvidou, imediatamente, da mensagem do anjo.
     E porque não acreditou de primeira, foi punido por Deus, com uma temporária mudez! 
     Javé teria sido injusto com o velho Zaca? 
     Isabel, sabidamente estéril, enfrentou firme a prenhez. E até recebeu, com muito júbilo, a visita de sua prima - também grávida -, Maria de José, o carpinteiro. Eis dois estranhos casos de gravidez. A gente só os aceita porque a Bíblia os registra, e com extrema nitidez.
     Lucas, meu evangelista predileto, me contou detalhes deste histórico e comovente encontro entre Elisabete e Maria.
     Guardei esta passagem. Isabel recebeu Maria. E ao ouvir-lhe a saudação, confessou à prima querida: "...quando tua saudação ressoou nos meus ouvidos, eis que a criança saltou de alegria em meio seio"; e Maria, em seguida, recitou o Magnificat. Lindo, né mesmo?
     Era a alegria do feto, mais tarde João Batista, o santo Precursor, cuja festa, o foguetório já anuncia sua chegada.     
        
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 17/06/2011
Alterado em 07/02/2014


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