Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

    A garota do arranha-céu

     1. Eu tinha oito anos quando conheci o primeiro arranha-céu, o Hotel Excelsior de Fortaleza.  Na década de 1940, dizia-se no Ceará que o Excelsior era o maior prédio de alvenaria do mundo. Sim, do mundo.
     2. Eu nunca soube se essa história era verdadeira. Pra muita gente, tudo não passava de uma exagerada dose de vaidade dos cabeças-chatas, empolgados com o seu bonito arranha-céu, erguido no coração da sua capital.
     3. Verdade ou não, o certo é que o Hotel Excelsior, pela sua imponência e charme, chamava a atenção dos cearenses; principalmente dos que - e este era o meu caso - visitavam Fortaleza pela primeira vez.
     4. Naquela tarde, na companhia de minha mãe, entrei no elevador do Excelsior, de portas pantográficas, e, rapidamente, alcancei o seu terraço. Lá fiquei, até as primeiras lâmpadas alumiarem a Praça do Ferreira, ainda com sua famosa coluna da hora e seu movimentado Abrigo Central.
     5. De repente os arranha-céus foram se multiplicando, e Fortaleza  transformou-se no que ela é hoje: uma cidade vertical. Desapareceu a maioria de suas casas.
     6. Quando vim morar em Salvador, dezembro de 1957,  logo descobri que a capital baiana tinha mais edifícios do que Fortaleza, embora ainda predominassem os sobrados, alguns históricos.  
     7. A cidade continua crescendo verticalmente! Neste momento, acompanho a construção de dois espigões: um com nove andares e o outro com doze. Eles não estão me tirando somente o céu; estão, também, me roubando parte do meu mar, o mar azul da Pituba.
     8. Estão tão próximos do meu apartamento, que, vez por outro,  me vejo violentado na minha intimidade. 
Nos prístinos tempos, eu circulava de cueca no meu terreiro sem a mínima preocupação. Agora, tenho que recorrer a um chambre, que me dá u ´a mentirosa sensação de riqueza.
     9. Mas é forçoso reconhcer que  os espigões também trazem algumas compensações. Exemplo.  Em um arranha-céu, aqui, junto ao meu, uma bela jovem, vestindo um biquíni, modelo fio dental, brinda-me, nas manhãs de sol generoso, com furtivos mergulhos na sua piscina de água azulada e transparente...
     10. Fico, horas a fio, a admirá-la.      Enxergo-a sem precisar de luneta.      Neste instante, vejo-a exposta ao sol escaldante do meio-dia com a parte superior do seu biquíni ligeiramente caído, deixando à vista, parte do seu provocante e e moreno busto...
     11. É a garota do arranha-céu, com seu corpinho cheio de graça e beleza, alimentando a imaginação, ainda muito viva e fértil, do seu vizinho setentão...
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 25/01/2007
Alterado em 16/09/2017


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