Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                            Como nasceu a fofoca

      1. A fofoca, todos sabemos, não é coisa d´agora; ela vem de muito longe. Me arriscaria a dizer que os Livros Sagrados, dela, já nos dão notícias.
     2. Quando o Mestre fez o surdo e mudo ouvir e falar, os fofoqueiros de plantão rosnaram: "É belzebu, chefe dos demônios, que dá poder a esse homem."
     3. Os farizeus, tidos como refinados fofoqueiros, viviam criticando o Rabino: "Esse homem acolhe os pecadores, e come com eles!"
     4. O Messias foi criticado pelos mexeriqueiros porque se hospedou na casa do publicano Zaqueu, no seu pernoite em Jericó.
     5. Imagine o leitor quanta fofoca circulou na Palestina quando o Nazareno, um judeu, bateu aquele papo com a polígama Samaritana, no poço de Jacó. E sobre o amor de Madalena por Jesus e do Divino por ela, quanto não se fofocou...
  6. É sabido que existem dois tipos de fofoca: a maléfica, sádica, perversa; e a fofoca sadia, ou seja, despida de qualquer maldade; sem o intuito de prejudicar.

     7. Diria, meus amigos, que se a fofoca não existisse, provavelmente não teríamos as colunas social e política que tanto nos atraem e prendem nossa atenção. Essas duas colunas alimentam-se, praticamente, do disse-me-disse de cada dia.
     8. E você, meu distinto leitor, já fofocou alguma vez na sua vida? Não vale mentir. Faça um apurado e criterioso exame de consciência, e verá que, nesse particular, você não é uma exceção.
     9. Não há como negar, que, entre nós, circulam deliciosos e eméritos fofoqueiros. É só nos vêm, e logo disparam: "Sabia que fulano; que sicrano..." E sussurram algo sobre alguém que pode nos deixar perplexos (o quê?), confusos (mas será possível?) ou em pânico...
     10. Eis-me, neste instante, escrevendo sobre a fofoca, a partir de uma reportagem que trata da sua origem. Não se surpreenda, meu caro leitor, se eu lhe disser que os macacos teriam sido os criadores da fofoca.
     11. A descoberta - está na reportagem - é do antropólogo inglês Robun Dunbar, da University College de Londres. O Doutor Dunbar deu à sua pesquisa o nome de Teoria Evolutiva da Fofoca.      Devo poupá-lo, amado leitor, de comentário mais aprofundado em torno da Teoria do estudioso e respeitado gringo. Da reportagem, tirei o que me pareceu pitoresco.
     12. Como foi? A partir de um costume cultivado entre os nossos estimados primatas, ou seja, o de catar piolhos.
     Os símios, segundo o antropólogo Robin, dando cafunés uns nos outros, se relacionavam melhor, e, com isso, havia entre eles uma fácil e permanente "troca de segredos."
     13. Seus descendente, completa o mestre inglês, passaram a trocar segredos "na forma de fofocas". Uma história meia estranha.
     14. Se a pesquisa do Doutor Robin Dunbar é correta, procedente, indiscutível, confesso que não sei dizer.
     Mas esse seu estudo tende a evidenciar que estamos cada vez mais próximos dos macacos.      Pois, ninguém nega que o Homem adora um cochicho, um disse-me-disse, uma fofoquinha ao pé do ouvido...   
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 15/07/2015
Alterado em 15/07/2015


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