Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                              Roma e os peixes

          1. O Rio Tibre transbordava. Suas águas chegavam, indóceis, ao sopé do monte Paladino. Em uma de suas margens, um homem - que até hoje não se sabe o seu nome - segurava, constrangido, um cesto de vime.
          2. No interior do cesto, dois recém-nascidos aguardavam a hora de serem mortos por ordem de um príncipe tresloucado. Os bebês, gêmeos, eram filhos da vestal Réia Sílvia e do deus Marte; e se chamavam Rômulo e Remo.
          3. O homem, perplexo, resistia em matar os dois meninos, conforme lhe ordenara o príncipe cruel, que atendia pelo nome de Amúlio.
          De repente o cidadão decidiu lançar o cesto nas águas do Tibre, entregando aos deuses a sorte dos bebês. O cesto, arrastado pela correnteza do Tibre, ao invés de afundar, rodopiou e encalhou num lugar qualquer da margem do rio.
          4. Eis que, do cesto, aproximou-se uma loba.           Ouvindo o choramingo das duas crianças, certamente famintas, delas se apiedou. E, generosa, permitiu que Rômulo e Remo mamassem à vontade nos seus fartos peitos.           Salvos, as duas crianças cresceram e viveram às margens do Tibre, protegidos por moradores ribeirinhos.
          5. Um dia, eles resolveram fundar uma cidade. Rômulo e Remo discordaram sobre a localização dessa cidade. Enquanto Rômulo queria que ela fosse construída nas margens do Tibre, Remo apontava para o monte Aventino, alegando ser mais fácil a sua defesa.
          6. Como não chegavam a um acordo, recorreram aos deuses. Dois sacerdotes fariam a consulta. Venceu a sugestão de Rômulo. O veredicto provocou conflitos, com grande número de mortos. Entre os mortos, estava Remo.
          7. Consolidada a sua liderança, Rômulo iniciou a construção da cidade no local aprovado pelos deuses.
          O povo passou então a perguntar: "E como vamos chamar essa cidade?"
          Embora houvesse um consenso, segundo o qual, a cidade deveria ter o nome do seu criador: a cidade de Rômulo.
          8. Rômulo, porém, achou melhor perguntar ao Olimpo. Não quis tomar uma posição isoladamente. Na ocasião teria afirmado que se sentia emocionado e feliz com a proposta, mas - foi enfático - "não faremos nada sem o consentimento dos deuses."
          9. Solicitados por Rômulo, dois sacerdotes foram incumbidos de fazerem a consulta. Vejam como ela foi feita, segundo li no livro Contos e Lendas do Nascimento de Roma, do escritor François Sautereau.  
          10. "Esses sacerdotes, que eram etruscos, foram recebidos num silêncio solene. A pedido do príncipe, consultaram as entranhas dos peixes. Depois pronunciaram o veredicto: "Os deuses aceitaram a proposta do povo. Roma será o nome da nova cidade."
          11. Assim, de acordo com a Mitologia, teria nascido a cidade dos Césares. Pode ser uma tremenda mentira, mas que é uma encantadora versão, disso eu não tenho a menor dúvida.
          12. Recordei essa história, tantas e tantas vezes contadas, para assinalar a passagem do aniversário da Cidade Eterna, ocorrido no dia 21 de abril. Roma foi fundada, segundo os historiadores, em 21 de abril de 753 a.C.           Festejou, portanto, 2 769 anos!!!
          13. Antes do ponto final, duas observações.           A primeira: Porque o meu signo é Peixe, creio que por isso minha paixão por Roma (estive lá quatro vezes) é imensurável.
          A segunda: Brasília faz aniversário com Roma. Só que em Brasília, as tetas, embora generosas, não têm a grandeza das tetas da loba romana.  
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 25/04/2016
Alterado em 25/04/2016


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras