Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

           O romântico panetone

     1. Pode parecer estranho, mas o panetone está entre as guloseimas natalinas que mais me aguça o apetite.
     2. Não estou exagerando, mas, às vezes, comendo panetone, chego a esquecer o presunto-tender e o tradicional peru, sem sombra de dúvidas, dois saborosos pratos do Natal.
     3. Ouvi alguém perguntar: pode uma coisa dessa?  Respondi: pode, sim, e por que não? É uma questão de gosto. E fui além, lembrando que os romanos ensinavam que sobre gostos e cores não se deve discutir - De gustibus et coloribus non est disputandum.
     4. Fazendo essa citação na língua dos césares, peço licença para discordar do escritor Miguel de Cervantes (1547-1616) que, na sua obra Colóquio dos cães, afirmou: "Tanto peca o que diz frases latinas diante de quem as ignora como o que diz ignorando-as".
     Ora, não é exatamente o que se dá com este mísero escriba e com os que têm a imensa paciência de aturá-lo, lendo suas incipientes crônicas...
     5. Ontem, saí para comprar um panetone. Com a chegada de dezembro, eles invadem as padarias e os supermercados, levando a esses estabelecimentos comerciais ares festivos.
     6. Peregrinei pelas prateleiras da padaria mais próxima de minha casa. Sem maiores esforços, encontrei o panetone dos meus sonhos; e com a garantia de ser um panetone Diet, o indicado pela minha Endocrinologista, guardiã atenta e incansável de minha curva glicêmica.
     7. O panetone também tem sua história.      E foi sobre a história do panetone que me indagou minha empregada doméstica, uma coroa educada e esclarecida. Sabe de tudo um pouquinho...
     8. Queria, porque queria, que eu lhe dissesse como o panetone aparecera no mundo, alegando a "insuspeição intelectual" do seu patrão; segundo ela, "um homem que gosta de ler", apontando minhas estantes prenhas de bons livros.
     Com efeito, junto a elas, dona Fulana me vê, todos os dias, num silencioso diálogo com os autores de minha preferência.
     9. Tive, porém, que encontrar uma maneira cuidadosa para lhe falar sobre o panetone, sem afastá-lo da festa natalina.      Ela não curte o Natal, porque é Testemunha de Jeová. Para as Testemunhas - assim chamadas desde os tempos do profeta Isaias -,  o Natal é uma festa pagã.
     10. Disse-lhe que sabia muito pouco sobre o panetone; e o pouco que sabia, era de domínio público. Mas ela insistiu.
     11. Resumi, assim. O panetone, dona Fulana, teria nascido na Itália. 
     Numa padaria de Milão, seu padeiro, um jovem chamado Toni, se apaixonou pela filha do dono da padaria. 
     12. O Toni inventou um pão doce, recheado com frutas secas, para agradar seu patrão. Esse pão, de tão gostoso, logo conquistou a preferência dos fregueses. Todos queriam o "pani de Toni", depois panetone. 
     13. Assim, o padeiro milanês Toni passou para a história como o inventor do panetone. Esta é a versão mais corrente.
     13. Os pesquisadores não confirmam que esta seja a verdadeira estória sobre a origem do panetone, que, para muitos, continua sendo um mistério. 
     14. Nem dizem se Toni, com a sua manobra, conquistou a amizade do pai da mulher que mexera com o seu coração plebeu.
     15. Verdadeira ou não, o certo que, aceitando-se essa versão, pode-se afirmar que o panetone tem sua origem, a partir de uma história de amor. É por isso que costumo chamá-lo de romântico, o romântico panetone...
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 03/12/2016
Alterado em 06/12/2016


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