Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                      Árvore de Natal
                      e o Menino Eterno

     1. Para receber os netos, que chegam com o Natal, Ivone, seguida de perto pelos meus olhos atentos e comovidos, armou, com o carinho e a paciência de todos os anos, nossa árvore natalina. Dá trabalho, eu sei; mas é gratificante "plantá-la", galho por galho, vendo-a ganhar, aos pouco, o céu de minha sala de visitas.
     2. Ali está ela, pois, coberta por uma centena de lâmpadas, pequeninas e saltitantes, e mais uma dezena de penduricalhos natalinos adquiridos nas nossas andanças pela "Oropa, França e Bahia"; além dos que nos foram doados pelos filhos, parentes e amigos do peito.
     3. Os netos adoram o enorme pinheiro de plástico da casa do vovô e da vovó. Espertos, eles sabem que, na Noite de Festas, o Papai Noel passa por ela, e, na sua rápida visita, deixa um presentezinho para cada um deles. Oh! Como é bom ser criança! Rôu Rôu Rôu, salve o Noel!
     4. Muito bem. Até aqui, falei sobre Papai Noel, sobre a nossa árvore de Natal e sobre os netinhos, hoje, os responsáveis pela alegria que contamina seus cansados avós nas festas de fim de ano; incluindo o Réveillon que, geralmente, eles passam dormindo... aiiiinda.
     5. Mas, antes que algum beato me chame de materialista e inimigo de José, o carpinteiro, e de sua digníssima mulher, Maria de Nazaré, adianto, opportuno tempore, que não esqueci do  Baby aniversariante, filho adotivo desse exemplar casal. É impossível esquecer aquele que Leonardo Boff, com absoluta precisão teológica, chama de "Puer Aeternus", o Menino Eterno.
     6. Foi essa criança, diz Boff, "que trouxe vida nova ao mundo e a energia de fazer do velho novo, capaz de regenerar toda a humanidade" - in "O Livro dos Elogios".
     Vou dizer o que tantos já disseram: pode-se descrer no que esse menino, feito homem, andou pregando; até negar a sua divindade. Mas eliminá-Lo, riscá-Lo do mapa,  é historicamente impossível. Por isso, beijo, com respeito, o Deus Menino; o Bambino, como o chamava Francisco de Assis.
     7. A gente que vive (ou sobrevive?) entre livros, no Natal, fica lendo ou relendo o que os bons escritores disseram sobre esse tocante evento religioso. Cronistas chinfrins como eu, dificilmente produzem páginas natalinas que encante algum leitor. Poetas, cronistas, prosadores geniais já o fizeram. Como, por exemplo, Cora Coralina.
     8. Encontrei em Cora Coralina o poema que, em seguida, transcrevo: "Poesia de Natal - Enfeite a árvores de sua vida/ com guirlandas de gratidão!/ Coloque no coração laços de cetim rosa,/ amarelo, azul e carmim,/ Decore seu olhar com luzes brilhantes/ estendendo as cores em seu semblante == Em sua lista de presentes/ em cada caixinha embrulhe/ um pedacinho de amor,/ carinho,/ ternura,/ reconciliação,/ perdão! == Tem presente de montão/ no estoque do nosso coração/ e não custa um tostão!/ A hora é agora!/ Enfeite seu interior!/ Sejas diferente!/ Sejas reluzente!"
     9. Neste poema, nossa Cora Coralina dá a árvores de Natal a sua tradução ou sua versão. Diferente e espetacular!
     Depois desses versos, tão doces, escrever mais o quê? Fecho meu Notebook; e vou a outros poetas, prosadores, cronistas que também escreveram sobre a Noite Feliz. A Charles Dickens, por exemplo, que nos deixou "Um conto de Natal"; belíssimo.    

 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 09/12/2017
Alterado em 09/12/2017


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