Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

            Sobre a morte do Batista,
                      o Precursor

     1. Católico, desde menino, na minha crença, aperfeiçoado nos claustros franciscanos, no tempo da Quaresma, opto por escrever sobre temas bíblicos, e não podia ser diferente.
     2. Faço-o, claro, sem a pretensão de ser reconhecido como um respeitado teólogo; ou como um profundo conhecedor das páginas sagradas da Bíblia, muitas difíceis de serem entendidas e até de serem lidas.
     3. Vou buscar no Antigo ou no Novo Testamento um ou mais textos que, por isso ou aquilo, ainda me deixam tonto, dada a sua complexidade, dubiedade e outras coisinhas mais.
     4. Sobre o texto escolhido e por mim considerado bizarro, não nego que ouço a opinião de católicos, evangélicos, espíritas, testemunhas de Jeová e até de gente que não crê em nada, os nossos irmãos ateus. 
     5. Até porque, ao contrário do que pensa o ex-papa Bento XVI, reconhecido e respeitado teólogo, também acho, com muitos outros, que a religião católica não é a dona absoluta da verdade. 
     6. Quando não quero alimentar polêmicas ou me ver perdido entre os inúmeros capítulos e versículos da Bíblia, leio e comento os leves tópicos do "Cântico dos Cânticos" onde, segundo estudiosos, está registrado o primeiro beijo "muco-mucoso", ou seja, literalmente na boca, da história da humanidade.
          - "Os teus lábios, ó esposa, são como favo que destila mel;/ mel e leite estão sob tua língua..."  in Cânt 4:11. E viva Salomão! 
     7. Trago, hoje, uma passagem bíblica que durante muito tempo mexeu com minha cuca: o assassinato de João Batista; ou melhor, os verdadeiros motivos que "justificaram" a decaptação do Precursor. 
     8. Sobre esse cruel castigo,  eu conheço duas versões. Uma, excessivamente romântica; e a outra, uma versão com um robusto conteúdo político. 
     9. A versão romântica (?). Está no mais antigo dos Evangelhos, o Evangelho de Mateus - 14:6-11. Em síntese: Herodes, um fanfarrão, mandou prender o Batista, que censurara, publicamente, sua união com Herodíades, mulher do seu irmão.
     10. No aniversário de Herodes, Salomé, filha de Herodíades, dançou, lascivamente, diante do rei. Este, boquiaberto, embevecido, prometeu dar à dançarina o que ela lhe pedisse.
     11. Salomé consultou sua genitora, que não hesitou em pedir a cabeça de João Batista numa bandeija, vingando-se, assim, do denunciador de sua união ilícita com Herodes. E Herodes atendeu a Herodíades e a Salomé, prontamente. É a versão que crentes e descrentes conhecem. 
     12. Há, porém, os que defendem a tese de que essa história envolvendo, numa trágica trama, Herodes, Herodíades e Salomé, não foi o motivo determinante da dacaptação do Batista.
     13. Asseguram que Herodes, temendo João Batista, cujo prestígio popular se agigantava, não hesitou em encarcerá-lo. A motivação, portanto, teria sido política e não os "amores" de Herodes por Herodíades e Salomé. 
     14. O escritor Reza Aslan, no seu formidável livro "Zelota-A vida e a época de Jesus de Nazaré", diz que "o relato do evangelho não deve ser acreditado." Acrescentando que a versão dada pelo Evangelista "está repleta de erros e imprecisões históricas". E prova. 
     15. Completa Aslan: "A explicação mais prosaica, porém muito mais confiável, da morte de João Batista pode ser encontrada na obra "Antiguidades", de Josefo. De acordo com o autor, Antipas temia que a crescente popularidade de João levasse a uma insurreição, "pois as pessoas pareciam dispostas a fazer qualquer coisa que ele aconselhasse".
     16. Acolhendo, pois, a versão política, e abandonando, de logo, a versão romântica, eliminei, não sei se definitivamente, as dúvidas que me assaltavam sobre os verdadeiros motivos que levaram Herodes a prender e degolar o anunciador da vinda do Rabino de Nazaré.
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 03/03/2018
Alterado em 07/03/2018


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