Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos


            Um piano abandonado na praia

     1. Há coisas, consideradas bizarras, que só na nossa Bahia acontecem. Tivemos um governador que produziu uma frase que os baianos, até os mais desinformados, acreditam e repetem. Disse o saudoso político: "Pense num absurdo, na Bahia tem precedente". 
     2. É certo que muita gente não acredita que isso seja verdade. Eu, particularmente, acho que o ilustre ex-governador, apesar da sua comprovada credibilidade, carregou na dose ao fazer tão comprometedora afirmação. Nome dele? Otávio Mangabeira.  
       3. Mas, vez em quando, os jornais baianos publicam notícias que, de repente, confirmam, de maneira inconteste e inarredável, a assertiva de sua excelência, o ex-governador Mangabeira. 
       4. Pela sua reconhecida respeitabilidade, como cidadão e como político - raríssimo no Brasil de hoje, dominado por uma chusma de maus brasileiros, criminosamente administrando a coisa pública -, merece que se diga, em breves linhas, quem foi o senhor Otávio Mangabeira.
     5. Esse baiano ilustre governou a Bahia, de 1947 a 1951, com eficiência, seriedade e honradez. Filho de Salvador, nasceu no dia 27 de agosto de 1886; e morreu no Rio de Janeiro no dia 29 de novembro de 1960. Engenheiro e professor, foi membro da Academia Brasileira de Letras. Portudo isso, e muitas outras coisas, o Dr. Mangabeira continua nos braços do povo. 
     6. Passo, então, a contar o mais recente "absurdo" que aconteceu na Bahia, ou mais precisamente na sua capital, a tentadora Salvador.
     Dia 6 de junho de 2018. Inesperadamente, apareceu na areia de uma de suas parais mais festejadas, querem saber o quê? Um piano! Sim, amigos, um piano!
         7. Como ele foi dar na referida praia? Esclareço. Nessa praia, chamada Jardim de Alá, existiu o Hotel Atlântico, que até cheguei a conhecer. Estava fechado há mais de dois anos, porque penhorado pela Justiça.
     Ladrões arrombaram o velho hotel, e robaram exatamente o seu piano. Para levá-lo até a praia, onde o abandonaram, usaram um desses carrinhos de supermercado. Qui coisa, heim?
     8. Ao tomar conhecimento do arrombamento e do roubo, o dono do Atlântico ficou atordoado e iniciou um trabalho, visando resgatar o seu instrumento.
     Aos jornais, disse que o seu piano valia R$50mil, aproximadamente. 
     9. Como foi encontrado. Segundo as gazetas da cidade, por um vizinho do Hotel Atlântico. Músico, ele disse, pesaroso, ter tocado a 9a. Sinfonia de Beethoven no piano que jazia na areia da praia, acariciado pelas ondas generosas do mar azul de Salvador...
       10. O "absurdo" chocou até o titular da delegacia de polícia mais próxima, que registrou a história do piano roubado e abandonado.      Surpreso, disse o doutor delegado: "Aqui eu trato todos os dias de homicídios, roubos e mortes. Hoje passei a tarde inteira falando de um piano".
       11. Estou lendo, agora, num dos jornais soteropolitanos (arre!) que o piano, pertence à família de um empresário baiano já falecido.      Oficializada a posse, o polêmico instrumento musical foi levado para o Hotel Itapuã, como o Atlântico, também fechado e praticamente esquecido por seu donos. 
     12. E aí eu pergunto: pode uma coisa dessa? Ladrão mais experiente podera arrombar o Itapuã e desaparecer, para sempre, com o velho piano.
     Será outro "absurdo" a confirmar a corajosa declaração do Governador Mangabeira. 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 09/06/2018
Alterado em 09/06/2018


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras