Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

             Uma seleção sem complexo 

     1. O historiador baiano Nelson Cadena, em artigo publicado recentemente, disse que os sinos da Basílica do Senhor do Bonfim bibalharam, no dia 29 de junho de 1958, festejando a conquista da Taça Jules Rimet pela Seleção Brasileira de Futebol, na Suécia. Uma justa homenagem.
     2. A exuberante campanha do nosso selecionado, na Copa de 58, contou com a brilhante atuação de uma linha de atacantes irretocáveis: Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo. Uma linha apoiada por uma defesa sólida e competente comandada por Nilton Santos e Hideraldo Luís Bellini, o capitão.
     3. Todos os jogadores se apresentaram elegantemente uniformizados. Mas sem brincos; sem cabeleras fartas e coloridas; sem tatuagens estravagantes; e sem sapatilhas de variadas cores, só encontradas nos pés de bailarinos. Todos usavam chuteiras pretas. 
     4. Não consegui ver, em tempo real, os gols desses craques. Em 1958, os satélites ainda não vovam pelo espaço sideral, alimentando nossas televisões. A comunicação era difícil; a internet ainda não havia chegado. 
     5. Ouvia-se tudo pelo velho rádio, cujo som, nem sempre chegava legal. Acompanhei a Copa de 58 por um possante rádio Philco que adquirira, com muito esforço, dias antes do mundial. Ele foi meu companheiro ao longo de uma dezena de anos. 
     6. Era um rádio tão possante, que captava, com relativa nitidez, até os suspiros de Fidel Castro, reinando em Cuba, soberano. Jovem estudante, eu não perdia os longos "sermões" do Comandante, que invadiam as madrugadas.
     7. A seleção de futebol campeã, em 1958, empolgante em todos os sentidos, fez o torcedor brasileiro voltar a sorrir. E mais do que isso: a confiar no escrete nacional e esquecer o fracasso de 1950. A derrota para os uruguaios ficou para trás. Nova era vislumbrava-se.
     8. Estamos novamente em campo. Vi o jogo Brasil e Suíça. Não gostei. As estrelas do time, principalmente o senhor Neymar, não brilharam. O placar não me agradou. E nem agradaria ao saudoso Nelson Rodrigues, que, com certeza diria: "um escore magro, esquálido, quase fúnebre". 
     9.  O Brasil espera que sua seleção faça figura na terra dos Czares. Como os jogadores de 1958, que levaram o torcedor brasileiro a esquecer o fracasso de 1950, no Maraca, os d'agora ajudem a torcida a olvidar os 7 gols dos Alemães, na copa de 2014, no Estádio Governador Magalhães Pinto.
     10. Não deixem, por favor, que o "complexo de vira-latas" (Nelson Rodrigues) lhes tire o título e o direito de serem reconhecidos como os melhores jogadores do universo. 
     11. Mesmo jogando com brinquinhos; tatuados; com cabelos coloridos; e de "sapatilhas de balé", ao invés das tradicionais e decantadas chuteiras, apelidadas por Didi de "crianças". 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 18/06/2018
Alterado em 19/06/2018


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