Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

          Um negro quase esquecido

     1. Ouvira falar sobre ele, mas não conhecia maiores detalhes sobre sua história. Realizando uma rápida incursão no BBC-News, a procura de não sei o quê, deparei-me com uma resumida, porém, interessante matéria sobre ele. Título: "A história esquecida do primeiro barão negro do Brasil Império, senhor de mil escravos". 
     2. Seu nome: Francisco Paulo de Almeida, Barão de Guaraciaba, título que lhe foi dado pela Princesa Isabel. Almeida nasceu em Lagoa Dourada, na época um arraial pertinho de São João Del Rei, no dia 10 de janeiro de 1826; e morreu em 9 de fevereiro de 1901, no Rio de Janeiro. 
     3. Embora sua origem familiar seja, segundo a matéria, parcialmente desconhecida, sabe-se que seus pais eram Antônio José de Almeida e Galdina Alberta do Espírito Santo. Pairam dúvidas sobre se negro era seu pai ou sua mãe. 
     4. Começou a vida "como ourives... em sua terra natal, na região aurífera de Minas". Detalhes dignos de registro: "Nos intervalos, tocava violino em enterros", recebendo alguns trocados". Recolhia "os tocos de vela que sobravam do funeral"  e os utilizava nas noites de estudo.
     5. Virou tropeiro. E como tal, foi adquirindo fazendas; comprando e vendendo gado. De repente virou banqueiro, dono de estrada de ferro e de usina hidroelétrica. Com sua habilidade comercial, conquistou um patrimônio que chegava a 700 mil contos de réis. Foi, então, considerado milionário.
     6. Casou com dona Brasília Eugênia de Almeida, moça de pai rico, e com ela teve 16 filhos, que estudaram na Europa, Morto o sogro, de quem era sócio, a fortuna que herdou, aumentou em muito o seu patrimônio. Adquiriu o "status" de nobre, na sociedade escravocrata e preconceituosa da pré-república.
     7. Muito bem. A matéria conta que o Barão de Guaraciaba, homem bem-sucedido na vida e nos negócios, mantinha sob sua tutela  nada menos do que mil escravos. O quê? Fiz esta pergunta, com boa dose de estranhesa.
     8. E só acreditei porque historiadores como Mary Del Priore (in "Histórias da Gente Brasileira") e Carlos Alberto Dias Ferreira (in "Barão de Guaraciaba - Um negro no Brasil Império") disseram que era verdade e até fizeram  a defesa do nobre Barão Negro.
     9. Carlos Alberto Dias Ferreira disse: "Não se trata de uma contradição de ele ter sido negro e dono de escravos, pois tinha consciência do período em que vivia e precisava de mão de obra para tocar suas fazendas. E a mão de obra disponível era a escrava". E mais: "Ainda que nos cause repúdio hoje em dia, o contexto de escravidão era uma coisa normal e a mão de obra que existia naquele tempo".
     10. Mary Del Priore escreveu: "Ele foi um grande empreendedor que acabou banqueiro, homem de negócios, fazendeiro e senhor de escravidão".
     E ainda:  "Guaraciaba distinguiu-se por ter sido financeiramente o mais bem-sucedido negro no Brasil pré-republicano. Ele se tornou o primeiro barão negro do império, notabilizando-se pela beneficência em favor das Santas Casas".
     11. As palavras de Del Priore estampam, sem retoques, o lado caridoso do Barão de Guaraciaba. Milionário, não deixou de lado os pobres, pugnando em favor das Santas Casas de Miséricordia. 
     12. Seguia o exemplo de um padre cearense, José Ibiapina, que, embora pobre, saiu pelo nordeste brasileiro construindo esse tipo de casa misericordiosa. Anotem: Ibiapina ainda não foi nem beatificado. Seu processo dorme nos arquivos do Vaticano.
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 18/07/2018
Alterado em 19/07/2018


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