Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos


                   E o seu apelido?

     1. Não sou de botar apelido em ninguém. Mas me divirto ou me constranjo com alguns que ando ouvindo por aí. Há, sim, apelidos que divertem e apelidos que machucam. Não confundir, porém, apelido com pseudônimo.  Falo sobre isso, logo mais.
     2.  Jussara, uma das três filhas de um amigo meu, foi escolhida pelo destino para carregar um desconsertante apodo. Agrava-lhe o desconforto o fato de suas irmãs, Jéssica e Jerusa, serem bonitas mulheres e ela muito feia. 
     3. Não devo revelar o apelido de Jussara; e esclareço que o nome que aqui lhe dou não é o seu. Ela ainda vive. Basta que se diga, que por causa de seu apelido, ela é permanentemente "gozada" ,na sua Faculdade e na rua. Lastimável, o que fazem com a boa Jussara.
     4.  Sua mãe, dona Florinda, orgulhosa, vaidosa, desde menina, inconformada com a "humilhação" imposta à filha, já brigou com deus e o mundo. Não perdoa, o que é compreensível. O pai, seu Bemvindo, defende a filhota com inteligência e moderação.
     5. Claro, que só os estúpidos e insensíveis divertem-se com apelidos considerados ofensivos e desairosos.      É criminoso, desalmado, aquele que aproveita o apelido para achincalhar a pessoa que, por azar, o carrega. Apelido que pode nascer de uma brincadeira, mas que, de repente, acaba estigmatizando o seu portador ou portadora para sempre.
     6.  Como disse  há pouco, existem apelidos delicados, espirituosos, inofensivos, identificadores.      Esses engrandecem os alcunhados e os torna conhecidos pelos séculos e séculos. Apelidos que agradam aosàseus contemporâneos e às gerações que os sucederão.
     7. É sobre esse tipo de apodo que me ocupo na minha crônica de hoje, lembrando alguns dos "apodados", reconhecidamente ilustres.
     Não estou escrevendo sobre coisa nova. Volto, porém, a um assunto divertido e que por isso mal não faz, seja, vez em quando, relembrado.
     8. Vamos a eles; como disse, são, apenas, alguns. 
     Machado de Assis (1839-1908), O Bruxo do Cosme Velho; Castro Alves (1838-1908), Poeta dos escravos;
Rubem Braga (1913-1990), Fazendeiro do ar; Lima Barreto (1881-1922), Escritor maldito; Rui Barbosa (1849-1923), Águia de Haia.
     9. Gregório de Matos (1635-1695), Boca do inferno;
 Casimiro de Abreu (1839-1860), Poeta da saudade; 
José de Alencar (1839-1908), Cazuza; Paulo Coelho (1947), Alquimista; Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Gauche; Mario de Andrade (1893-1945), Boneca de piche; Adélia Prado (1935), Poeta do sublime.
     10. Padre Antônio Vieira (1608-1697), Judas do Brasil;  Ferreira Gullar (1930-2016), Periquito; Olegário Mariano (1889-1958), Poeta das cigarras; Augusto dos Anjos (1884-1914), Doutor Tristeza; Clarice Lispector (1925-1977), Flor-de-lis; Cecília Meireles (1901-1965), Pastora de nuvens; Vinicius de Moraes (1913-1980), foto, Poetinha.
     11. Arre! Cansei!  Meu apelido? Não digo. Até que não é dos mais constrangedores.
     E o seu, meu distindo leitor, minha amada leitora? Antes do ponto final, reafirmo: há apelidos acariciadores; por exemplo, os apelidos nascidos na intimidade da alcova... 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 23/08/2018
Alterado em 23/08/2018


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras