Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                    E a Sapoti partiu...

     1. Ângela Maria, a "Sapoti", morreu na noite do dia 29 de setembro de 2018, no Hospital Sancta Maria Maggiore, na Mooca, São Paulo. Tinha 89 anos de idade e 70 de inconfundível carreira artística. Deixou uma bela história, como mulher e como cantora popular. 
     
2. Senti demais a morte da cantora de "Babalu", de "Cinderela", de "Gente Humilde", de "Tango pra Tereza", etc.,etc., etc.
     Minha admiração por Ângela vem de muito longe.      Em 1951, quando ela começava a conquistar o Brasil, eu estava entre os milhares de brasileiros que a aplaudia de pé.
     
3. No meu modesto radiozinho de bateria eu acompanhava, como um fã ardoroso, seus primeiros passos nas emissoras mais ouvidas do Rio de Janeiro: a rádio Nacional, a Tupi , a Mayrink Veiga e a Tamoyo. Vivia-se a época de ouro do rádio.
     
4. Cuidava de conhecer, também, a história pessoal de Ângela. Comprava, nas bancas de jornais, uma famosa revista que trazia a vida e fofocas dos artistas, a "Revista do rádio".
     Foi através dessa revista que fiquei sabendo que o nome de batismo de Ângela era Abelim Maria. 
     
5. Por que, então, Ângela Maria? Já li inúmeras versões a respeito da escolha desse pseudônimo pela cantora. Mais recentemente, no seu livro "A noite do meu bem", o jornalista Ruy Castro confirma a versão mais corrente, e, com certeza, a mais verídica. 
     
6. Segundo o escritor de "A onda que se ergueu no mar", dona Julieta, mãe de Ângela, com o apoio da família, não concordava com o desejo incontido da filha de ser cantora de rádio. Para ela, a filha, de voz angelical, deveria cantar, apenas, no coro da igreja Batista que frequentava. 
     
7. Mas, não era isso que a jovem Abelim queria.      Fugia e se inscrevia nos programas de calouros. Para evitar que a família a reconhecesse através do rádio, adotou o nome artístico de Ângela Maria.
     Foi muito castigada pela sua ousadia, diz Ruy Castro, pois, para os pais da cantora, evangélicos convíctos, "o mundo do rádio era território do demônio". 
     
8. A Sapoti. Por que a Sapoti? Vou repetir o que sobre isso andei ouvindo e lendo. Num encontro com o Presidente Getúlio Vargas, presentes numerosos artistas, saudando-a,  o galanteador GG deu um "Oi, Sapoti!" Ela estranhou.
     E Getúlio imediatamente justificou, dizendo a Ângela  que o sapoti  é "uma frutinha da sua cor, rechonchuda, doce como a sua voz". 
     
9. Dito isso, por que não inserir, nesta crônica, uma das canções cantadas por Ângela Maria que mais gosto: "Esta noite ou nunca", do romântico compositor lusitano Adelino Moreira. Cantem comigo.
          Esta noite ou nunca, meu amor
          Amanhã será tarde de mais
          Colhe nos meus lábios uma flor
          Beija-me com beijos sensuais.
                    Fica nos meus braços esta noite
                    E os mais lindos sonhos sonharás
                    Esta noite ou nunca, meu amor,
                    Amanhã será tarde demais.
          Meu interior está em brasa
          Queima com loucura, com afã,
          Mata o desejo que me abrasa
          Ou brasas serão cinzas amanhã
                    Sou uma fogueira crepitando
                    Vesúvio de lavas colossais
                    Esta noite ou nunca, meu amor
                    Amanhã será tarde demais...
     
10. Ângela Maria partiu... Está fazendo seus shows em outros mundos. Certamente ao lado de Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Cauby, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Chico Alves, Lupsinio Rodrigues, Nora Ney e o inesquecível Orlando Silva: foram seus companheiros nos palcos dos mortais; palcos que a tornaram imortal...  


 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 02/10/2018
Alterado em 02/10/2018


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