Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

              Livrarias agonizando

     1. Em uma das vezes que estive em Lisboa, subi, a pé, a íngreme ladeira que leva ao Chiado, ouvindo soluçantes fados. 
     
2. Ao longo do percurso, duas caminhonetes estilizadas vendiam CDs "piratas" de famosos fadistas, inclusive os de Amália Rodrigues, acreditem. 
     
3. Comprei dois CDs que trazem, entre muitos fados conhecidos, dois que gosto muito: "Olhos Castanhos"  e "Nem às paredes confesso", na voz de Francisco José.
     
4.  No largo do Chiado, fiz um caprichado lanche no Café a Brasileira, olhando para a estátua de Fernando Pessoa (1888-1935), majestosa e inspiradora.
     
5. Depois do lanche, sentei-me ao lado da estátua do poeta e me deixei fotografar, no que fui imitado por dezenas de turistas que, pacientes, aguardavam sua vez.
     
6. Nessa ida ao Chiado, dada a premência do tempo, não visitei a livraria mais velha do mundo, a Livraria Bertrand, que fica na Rua Garret, 73/75, a mesma rua do Café a Brasileira. Me arrependo até hoje de não tê-la visitado; era minha obrigação.
     
7. Duas palavrinhas sobre a centenária Bertrand, a livraria dos intelectuais lusitanos, situando-a no tempo e no espaço para os amigos que ainda não a conhecem. 
     
8. A grave crise que, neste instante, o mercado editorial brasileiro está atravessando, aconselha que se dedique um tempinho à gloriosa Bertrand, orgulho de Portugal.
     
9. A Livraria Bertrand foi fundada em 1732. E nunca fechou suas portas nestes 286 anos de vida. Mantem 53 lojas em todo o território portugues; e, ao que se sabe, todas dando lucro.
     
10. As gazetas têm dado destaque, detalhando, a séria crise que ameaça riscar do mapa as duas principais redes de livrarias do Brasil, a "Saraiva" e a "Cultura". Frequento, com desenvolta frequência, essas duas livrarias, há muitos anos.
     
11. Um costume que adquiri, desde cedo,  nos tempos da "Civilização Brasileira" e da "Siciliana".      Considero-me um rato de livrarias, não esquecendo de dar uma passadinha nos nossos respeitáveis sebos. Por isso, vou chorar se as duas livrarias vierem a desaparecer...
     
12. Transcrevo o que disse a "Folha de São Paulo" a respeito: "O mercado editorial do Brasil nunca pareceu tão próximo de uma catástrofe - com as duas principais redes de livrarias do país, Saraiva e Cultura, em uma crise profunda, reduzindo o número de lojas e com dívidas que parecem sem fim".
     
13. O risco parece ser iminente. Endividadas, devendo até aos editores, as duas redes já teriam entrado na Justiça com o pedido de "recuperação judicial". A providência é legal e aconselhável. É o remédio.
     
14. Que bom seria que nossas principais livrarias, a Saraiva e a Cultura, fossem como a Bertrand!
     Fundada, como disse, em 1732, a Bertrand não fechou suas portas nem após o Grande Terremoto que, em 1735, arrasou Lisboa.
     Continua impávida, ostentando o título de a mais velha livraria do Planeta, segundo o Guinness Book. 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 06/11/2018
Alterado em 07/11/2018


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