Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

               A borboleta que deixou
                          saudade...

     1. No final de uma tarde de verão, ele a descobriu trabalhando numa delicatéssen, a melhor do seu bairro. Seu nome? Thalita. 
     
2. Os olhos dela, vivos e fugitivos, levaram-no a lhe fazer este galanteio: Thalita, menina bonita!      Discreta ou tímida, o fato é que ela não se mostrou impressionada, abaladiça com o elogio que acabara de ouvir. Seria de um gaiato? Pode ter pensado.
     
3. Em outros encontros, sempre na delicatéssen, ele insistia: Thalita, menina bonita!      Sabia que as mulheres, após sucessivos elogios, geralmente, deixam-se conquistar. Ou acreditando no galanteador, ou para lhe satisfazer a vaidade.
     
4. Continuou insistindo nos seus galanteios.           Quando encontrava Thalita, cobria-lhe de elogios; e, vez por outra, cercava-a de cuidadosas declarações de amor...  Ela, entretanto, permanecia na dela...
     
5. Ele, então, resolveu usar seu lado romântico enviando para Thalita mensagens recheadas de amáveis citações, colhidas em poemas de poetas apaixonados.
     Somítica, monossilábica, ela se fazia de desentendida; não ligava para os apelos amorosos do seu novo admirador. 
     
6. Ele ariscou pedir-lhe o telefone, no que foi prontamente atendido. Pelo WhatsApp, ele passou a mandar para Thalita carinhosos recados, mormente nos finais de noite, surpreendendo-a com apaixonados papos fora de hora. 
     
7. Ela, todavia, mantinha-se econômica nas suas respostas; deixando até de atender um simples "Alô!" ou responder um afável "Boa noite!"  Ele achava tudo isso muito esquisito; e queria saber o porquê do estranho comportamento de uma mulher que dele só recebia atenção e carinho. 
     
8. Para seduzir Thalita, ele transformou-a numa mimosa borboleta, com - acreditem - a concordância dela. Como uma  borboletinha, Thalita passou a ser tratada por ele. 
     
9. Borboleta! Haveria coisa mais delicada? Frágil e bela, a borboleta encanta e conquista pela sutileza, pela leveza e delicadeza do seu voo...  Voa, voa, voa, e, de repente, pousa no coração de uma flor, por mais modesta que ela seja. Depois, foge para bem longe, deixando um vazio imenso e uma saudade a mais...Teria ele dito isso a Thalita? 
      
10. Veio, porém, o momento em que ele viu que Thalita era, apenas, um sonho... Ou uma dolorosa experiência de um amor impossível?             Separava-os - e eles sabiam - impedimentos de natureza canônica e jurídica; e para complicar, uma cruciante diferença etária.
     
11. Por isso, Thalita foi deixando claro que seu admirador não era o homem ao qual ela pudesse entregar seus anseios de mulher livre, nova e bonita.       
     
12. A partir daí, passou ela a ser uma doce companheira nas suas madrugadas velhas e de cruéis insônias;  e nunca a mulher que ele desejara ter nos seus braços, e, por que não, na sua cama...
     
13. Colocou-a num cantinho do seu coração pecador; tal como a descobrira, no final de uma tarde de verão, na melhor delicatéssen do seu bairro...  Para ele, Thalita foi a borboleta que deixou saudade!...


 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 12/04/2019
Alterado em 15/04/2019


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