Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

             Será uma santa pidona


     1. Não sou da Bahia. Mas, na Bahia, um dia cheguei e fiquei. Vivo na Terra da Felicidade há mais de meio século. Moro em Salvador, mística e encantadora cidade; Salvador, costumo dizer, é um presente dos deuses. Pra completar sua grandeza, Salvador e a cidade natal de Santa Irmã Dulce.
     2. Confesso, que a inquestionável canonização dessa iluminada freira baiana teve, para mim, um significado muito especial. Até, e não estou mentindo, até reacendeu neste pífio cronista, em alguns momentos um incréu, a certeza de que, de fato, Deus existe. Fazendo Justiça, ELE chamou Dulce para sentar ao seu lado, 
     3. Interessante! Vejo a canonização de Irmã Dulce como a confirmação de santidade de uma velha amiga, cuja amizade, nascera sob o céu de Itapoan; ou na igreja do Senhor do Bonfim, depois de uma missa domingueira celebrada por Frei Hidelbrando, que por felicidade conheci. Pertenceu ao Convento de São Francisco, no Terreiro de Jesus. 
     4. Alô, amigos, não estranhem se insisto em chamar Santa Dulce dos Pobres de Irmã Dulce. Explico: foi com esse nome que a conheci, acompanhando-a em suas incansáveis peregrinações caridosas, socorrendo os miseráveis, os desvalidos que ia descobrindo nas esquinas de sua Salvador querida. 
     5. Irmã Dulce, santa desde o dia 13 de outubro de 2019, ROGA por este pobre cronista que recorre a vós. Será que ela ouviu?
     6. Atrevo-me a fazer a seguinte advertência: Deus, Deus, se cuide. Irmã Dulce vai continuar no seu Pé pedindo pelos pobres que por aqui - na Bahia e no mundo - ficaram, e, com certeza sentirão saudades dela...
     Será uma santa pidona!  Não tenho a menor dúvida.
     7. Agora me deixem fazer uma indagação, adiantando, de logo, que nada tem a ver com a canonização de Irmã Dulce, como disse acima, justa e inquestionável. A pergunta é esta: será que os últimos papas não estariam canonizando mais do que deviam? O Vaticano, neste particular, não estaria exagerando na dose?
     8. Mesmo admitindo, embora com alguma relutância, a infalibilidade dos papas, chego a ser um tanto contudente nas minhas meditações silenciosas, quando indago: não estaria a Santa Sé fabricando beatos, fabricando santos e santas? Acho estranho.
     9. Minha estranheza talvez se deva ao fato de que sou de um tempo  em que só se iniciava um processo de canonização cinquenta anos depois da morte do "servo de Deus". E o mais traumatizante e esquesito: levava séculos, até ser o processo concluído, nascendo o bem-aventurado.
     10. Dou dois exemplos, mais próximos de nós: São José de Anchieta (1534-1597) só foi canonizado em 2014, portanto, 417 anos após sua morte; e o Frei Galvão (1739-1822), franciscano, morto em 1822, foi canonizado em 2007, pelo Papa Bento 16, 185 anos após seu último suspiro. 
     11. A história registra exceções, sim. Lembro dois santos antigos que foram canonizados poucos anos após morrerem: Francisco de Assis e Antônio de Pádua. O Poverello morto em 1226, foi canonizado em 1228, dois anos após sua morte; Antônio de Lisboa, morto em 1231, canonizado em 1232, um ano após dizer adeus.
     12. O Papa João Paulo II mudou o rumo da história ao permitir o início do processo de canonização, após cinco anos da morte do fiel. Seria "um conceito Wojtyliano da santidade". O papa Karol sempre se declarou um entusiasta pela canonização atual. Santos novos, contemporâneos. Cananonizou 500 pessoas.
     13. Seus sucessores acompanharam-no nessa de fazer muitos santos. Assim foi com o Papa Joseph Ratzinguer e está sendo com o portenho papa Francisco, que já canonizou 800 servos de Deus. 
     14. Ora, os pontífices são reconhecidos como os porta-vozes de Deus. Por isso, suas decisões, em matéria de Fé, são inquestionáveis.
     A canonização, ao que me parece, está entre as decisões papais irrefutáveis. Portanto, se este ou aquele Pontífice disser que fulano e fulana são santos, aceitemos, sem pestanejar, seu veredicto. Afinal, "Roma locuta, causa finita est" - no bom vernáculo, Roma falou, tá falado...
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 16/10/2019
Alterado em 17/10/2019


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