Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos


           A nudez da bela atriz

  A nudez, tanto a masculina como a feminina, nunca foi aceita pacificamente. Existiram, existem e existirão aqueles que a condenam com veemência e os que a aprovam e aplaudem ardentemente. Bato demoradas palmas para o nu feminino... Nada contra o nu masculino.

   No meu quarto de solteiro, numa daquelas inesquecíveis repúblicas de estudante, mantive, durante anos, em uma de suas paredes, uma réplica de uma nua de Ticiano (1473/1490-1576) conhecida como a Vênus de Urbino.

  Inspirador e atraente, o quadro era visitado, repetidas vezes, por dezenas de colegas, que se curvavam diante das curvas estonteantes da linda mulher desnuda, obra do pintor de Maria Madalena aos pés do Ressuscitado, ouvindo do seu grande Amor: "Noli me tangere!" - Não me toques.

   Não estou inventando, mas já ouvi muita gente censurar os autores do Antigo Testamento por eles terem admitido, no Gênesis, Eva desnuda e Adão também.
   Digo eu: pena que o quadro que conhecemos de Adão e Eva traga escondido, de Eva, a vulva, e de Adão, o pinto.

     Será que Javé se preocupou mesmo em não mostrar as genitálias do primeiro casal, usando, para escondê-las, folhas de parreira ou coisa que o valha?  Ou preferira  mostrá-los literalmente nus? Não sei. Tenho minhas dúvidas.

    Mais intolerâcia. Confirmam os livros, que, em 1550, o Papa Paulo IV mandou ocultar os nus de Michelângelo postados na Capela Sistina. Mas eles voltaram.

    Na igreja de São Francisco, aqui em Salvador, um padre guardião puritano, faz muitas e muitas década, mandou castrar os anjinhos barrocos de ouro que enriquecem os altares do belo templo seráfico.
    Eles permanecem, até hoje, castrados como um protesto pela intolerância do frei, quiseram que assim fosse os restauradores dos altares da franciscana igreja do Terreiro de Jesus.

    Na velha Grécia e na Roma antiga, pintores e escultores famosos legaram à posteridade belíssimos quadros e primorosas esculturas de mulheres e homens nus. Consultem os livros e verão que não estou mentindo, nem exagerando.

    Em Florença, na milenar Piazza degli Signoria, duas estátuas encantam o mundo: a de Netuno, obra de Bartolomeu Ammanati (1563/65) , e a de Davi, obra do genial Mechelângelo. O deus e o rei estão literalmente nus.; com suas robustas genitálias bem à mostra, inclusive.

    Sinto não ter, nas duas vezes em que estive em Florença, visto de perto a estátua original do rei Davi, que se encontra guardada, a sete chaves, na exuberante Galleria degli Uffizi. Cochilei; vacilei. Ou me entusiasmara, demais, com a réplica da estátua do rei, exposta nas proximidades da prefeitura da simpática cidade toscana? É provável.

    Amigos, o nu artístico, desde que não seja debochado, vulgarizado, banalizado, é lindo! Como assim penso, não nego que quando tenho um tempinho dou uma espiadinha na revista Playboy , injustamente malhada por aqueles que do nu feminino só querem distância. Bobos! Eles não sabem o que estão perdendo...

    No momento, o assunto é a nudez da bela atriz Nanda Costa. A revista Playboy, já nas bancas, mostra, nas suas melhores páginas, e dando o merecido destaque, corpo escultural da  bonita atriz da TV, na sua nudez plena.

   A pergunta que está nos jornais de todo o país, em torno do espetáculo de beleza que a Nanda dá ao Brasil, é se ela, nas fotografias, para a revista, devia ter depilado totalmente sua graciosa vulva ou se ela andou certa depilando-a parcialmente; deixando à mostra "fartos pelos íntimos."

    Sem firmar meu ponto de vista a respeito dessa gloriosa polêmica - este não seria o momento mais oportuno - aplaudo a opinião da organizadora da Marcha das Vadias de Salvador, professora Sandra Muñoz.

    Comentando o debate sobre se a vulva da atriz deveria ou não, no ensaio fotográfico, aparecer peluda ou não, disse a mestra: "Cada mulher deve decidir como quer mostrar a sua vagina, sem preocupação de agradar a terceiros."

     Essa liberdade ficou evidente no pronunciamento da atriz de Salve Jorge feito a um jornal paulista de circulação nacional: "Para mim, está daquela forma [ não depilada ] é natural..."

    Ponto, portanto, para Nanda Costa que teria decidido, livremente, ser fotografada com alguns pelinhos a lhe enfeitar a vulva, mostrando-a, por conseguinte, na sua versão original.

    Agindo, pois, diferente da maioria das beldades que já pousaram para a Playboy, ela decidiu não raspar seus pelos pubianos, seguindo, talvez, o exemplo de Vera Fischer e Claudia Ohana.

     Direis, meu dileto leitor, minha amada leitora, que este é um assusto de uma trivialidade incomensurável.
     E que este cronista perdeu seu precioso tempo escrevendo sobre a vulva de uma atriz famosa, embora uma linda morena.
     Não é bem assim. Perderia meu tempo se tivesse passado horas escrevendo sobre política e politiqueiros, mesadas e mensaleiros, sequestradores, estupradores, assaltantes e outros temas que assustam, e, mais do que isso, envergonham o povo brasileiro, com a mídia dando total cobertura. Chega,
     Falar sobre uma bela mulher, e de seus adornos físicos, oh! oh! nada mais oportuno e gratificante.

Nota - A Vênus de Urbino de Ticiano (Google)
     


     

     

     


 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 30/08/2013
Alterado em 30/08/2013


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