Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                  Jingles e canções natalinas

     1. Naqueles velhos tempos, doces e ternas cantigas de Natal e maravilhosos jingles natalinos fascinavam os que curtiam a festa do nascimento do Deus Menino, ainda não sei se em Belém ou em Nazaré.
     2. Bem antes da noite de Natal o comércio promovia a venda de seus produtos, através de sedutoras vinhetas natalinas que encantavam até os que  não acreditavam nessa história de presépio, manjedoura, estrela-guia e Reis Magos.
     3. Essas "mensagens publicitárias musicadas", veiculadas, com insistência, no rádio e na tevê, acabavam, como disse alguém, e com absoluta razão, "marcando de forma indelével as nossas lembranças".
     Poucos se davam conta de que se estava diante de um musicado apelo comercial.
     4. O pessoal das décadas de 1960-70 nunca esquecerá, por exemplo, o jingle natalino da VARIG.
     Gravado por aplaudidos cantores, ele dizia assim:  -   "Estrela brasileira no céu azul/ Iluminando de Note a Sul/ Mensagem de amor e paz/ Nasceu Jesus, chegou Natal/ Papai Noel voando a jato pelo céu/ Trazendo um Natal de felicidade/ E um Ano Novo cheio de prosperidade./ Varig, Varig, Varig!
     Jingles delicados, sonorosos, inocentes, cativantes estão, infelizmente, desaparecendo. Essa é a verdade.
     5. Naqueles velhos tempos, belíssimas cantigas natalinas saíam da cachola inspirada e inteligente de renomados compositores, invadiam as rádios e as televisões, e eram imediatamente memorizadas pelo povão, que saía por aí assobiando-as...
     6. Lembro-me de algumas: Bate o sino, Natal das crianças, Então é Natal, do Jhon Lennon, White Christmas, na voz inconfundível de Bing Crosby e, claro, Noite Feliz, de autoria do padre austríaco Joseph Mohr, cantado pela primeira vez no Natal de 1818.
     Ilustre-se esse tópico, lembrando que "a cantiga de Natal mais antiga que a história da música registra é Jesus Refusit Omnium (Jesus, luz de todas as nações); ela data do século IV e a letra é atribuída a Santo Hilário de Poitiers."
     7. Depois de Noite Feliz, para este modesto escriba, a canção que mais lhe toca o coração chama-se Boas Festas (ou Aconteceu?) do baiano Assis Valente.
                    Boas Festas
          Aconteceu, o sino gemeu
          A gente ficou, feliz a rezar.
          Papai Noel, vê se você tem
          A felicidade pra você me dar.
          Eu pensei que todo mundo
          Fosse filho de Papai Noel
          Bem assim felicidade
          Eu pensei que fosse uma
          Brincadeira de papel.
          Já faz tempo que pedi
          Mas o meu Papai Noel não vem
          Com certeza já morreu
          Ou então felicidade
          É brinquedo que não tem."
     8. Comovente, é a história de Assis Valente.      Ele nasceu no dia 11.3.1911 na cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano.      Menino pobre, não conheceu seus pais, José de Assis Valente e dona Maria Esteves Valente.
     9. Depois de uma infância sofrida, corria o ano de 1927, o talentoso Assis Valente mudou-se para o Rio de Janeiro. E para sobreviver, até  como porteiro de edifício ele trabalhou.
     Na década de 1930, compôs seus primeiros sambas. Alguns foram gravados por Carmem Miranda (lembram-se de Camisa Listrada?), por Orlando Silva e por Altamiro Carrilho.
     10. Foi casado com Nadily da Silva Santos. Desse casamento, nasceu sua única filha: Nara Nadyli.
     Mas ele teve um fim trágico: morreu num banco de rua, no dia 6.3.1958, depois de ingerir uma boa dose de formicida com guaraná.
     Antes tentara o suicídio pulando do Corcovado. Foi salvo por um galho de uma árvore que lhe amorteceu a queda. Motivou tudo isso a profunda depressão que o alcançou e o destruiu aos 47 anos de idade.
     11. "Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos e de tudo"  -  Com essa frase, Assis Valente se despediu do mundo. Mas deixou a canção Boas Festas, uma cantiga natalina de um menino pobre, que mexe com a gente.
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 19/12/2014
Alterado em 19/12/2014


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