Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                    A borboleta
                    que deixou saudade...

     1. No final de uma tarde de verão, Joaquim  descobriu Helita trabalhando numa delicatessem, a melhor do seu bairro.
     Os olhinhos dela, vivos e fugitivos, levaram Joaquim a lhe fazer este galanteio: Helita, menina bonita! Discreta ou tímida, ela não se mostrou abaladiça com o elogio que acabara de ouvir.
     2. Em outros encontros, sempre na delicatessem, Joaquim repetia: Helita, menina bonita! Experiente, Joaquim sabia que as mulheres, depois de sucessivos elogios, quase sempre se rendem ao galanteador. Continuou insistindo nos seus galanteios. 
     3. Quando a encontrava frente a frente, chegava a lhe fazer carinhosas declarações de amor. Ela, entretanto, permanecia na dela...
     Joaquim resolveu apelar pro seu lado romântico, enviando para Helita belas mensagens, com citações colhidas em poemas de poetas famosos.
     Somítica, monosilábica, ela se fazia de desentendida. Nem ligava para as súpicas amorosas do apaixonado Joaquim.
     4. Ele arriscou pedir-lhe o telefone, no que foi prontamente atendido. Pelo WhatsApp, Joaquim passou a mandar carinhosos recados para Helita, surpreendendo-a com repetidos papos verdadeiramente apaixonados.
     5. Helita, todavia, mantinha-se econômica nas suas respostas. Joaquim achava tudo muito esquisito. Queria saber o porquê do estranho comportamento da Helita, que dele só recebia atenção e carinho.
     6. Para seduzi-la, ele transformou Helita numa borboleta, com a concordância dela. Como uma borboletnha, Helita passou a ser tratada por Joaquim. Adiantou pouco. Ela não se deixou encantar pelos "grunidos" amorosos de Joaquim.
     7.  Veio, então, aquele momento em que Joaquim viu que Helita era apenas um sonho...Ou a dolorosa certesa de um amor impossível.
     Separava-os impedimentos de natureza canônica e jurídica. Para complicar mais ainda, uma larga diferença de idade. 
     8. Helita foi deixando claro que seu admirador, o apaixonado Joaquim, não era o homem ao qual ela podia confiar seus anseios de mulher livre, nova e bonita. 
     9. Para Joaquim, Helita virou uma doce companheira nas suas cruéis noites de insônias; nunca a mulher  que ele desejara ter nos seus braços, e, por que não, na sua cama...
     10. Colocou-a num cantinho do seu coração tal como a conhecera naquela delicatessem, no final de uma tarde de verão. Para Joaquim, Helita foi a borboleta que deixou saudades...   
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 16/03/2020
Alterado em 16/03/2020


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras