Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

               Para duas mães queridas

     No dia das mães, se eu fosse poeta, escreveria um poema para Maria Luiza, minha mãe, que já morreu. No dia das mães, se eu fosse poeta, escreveria um soneto para Ivone, minha mulher, mãe de Paulo Fernando e Adriano, nossos filhos. 
     Envolveria as duas em belos versos...
     À minha mãe, entregaria o poema, através da estrelinha que vejo de minha janela, todos os dias, mal o sol se põe. De súbito, pode até ser ela, de longe, me vigiando, me protegendo, e a me dizer: "Meu filho, estou aqui".
     E a Ivone? À Ivone, ao meu lado nestes últimos 55 anos, eu entregaria o soneto pessoalmente, dizendo-lhe, emocionado: você é, repito, você é, sem tirar nem pôr, a maior mãe do mundo. É só perguntar aos seus dois filhos, ambos começando a encanecer.
     Digo tudo isso porque não tenho a menor dúvida de que somente os vates, em suas rimas, sabem contar e cantar melhor as virtudes das mamães; seu incondicional afeto; sua comovente meiguice; seus sorrisos por qualquer coisa; suas lágrimas de alegria e de dor. 
     Os prosadores - sou um deles - rabiscam belas prosas sobre as mães, é verdade. Mas suas páginas não têm a ternura de um poema ou a doçura imediata de uma simples quadrinha.
     Como estas que fui buscar nos livros de Mario Quintana: "MÃE - Mãe... São três letras apenas/ As desse nome bendito,/ Também o céu tem três letras/ E nelas cabe o infinito. === Para louvar nossa mãe,/ Todo o bem que se disser/ Nada há de ser tão grande/ Como o bem que ela nos quer. === Palavra tão pequenina,/ Bem sabe os lábios meus/ Que és do tamanho do céu/ E apenas menor que Deus". 
     Se eu fosse poeta, pois, escreveria coisas bonitas, em versos perfeitos, para as duas mães amadas, como fez Quintana. 
     Mas os poetas nascem poetas; diferente dos oradores: estes se fazem.  Há milênios, o romanos já advertiam: "Nascuntur poetae, fiunt oratores". O que me leva a dizer que versos de verdade só saem do poeta que nasceu poeta. Versos não se fabricam. Eles nascem como um sopro divino.
     Agora, como encerrar esta crônica se não sou poeta? Faço-o, com a ajuda de Vinicius de Moraes e da seguinte forma: transcrevendo os primeiros versos do poema "Minha Mãe", do Poetinha:
     "Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo/ Tenho medo da vida, minha mãe./ Canta a doce cantiga que cantavas/ Quando eu corria doido ao teu regaço/ Com medo dos fantasmas do telhado".
     Sem minha mãe há dezessete anos, e ainda sinto a sua falta! E não somente no dia das mães... Pois, todos os dias tem fantasmas no telhado...
     E para Ivone, a mãe exemplar, o meu amoroso abraço... É o abraço de agradecimento na mãe dos meus filhos.   
      
     
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 09/05/2020
Alterado em 09/05/2020


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