Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

               Bom desde menino

     1. Continuo reencontrando-me com os livros que li há muito tempo. Se algo de bom esse confinamento forçado me trouxe foi o meu reencontro com os escritores e os poetas de minha predileção. Mergulho nas suas páginas e esqueço a Covid-19 e que o Brasil não tem nem Ministro da Educação e nem Ministro da Saúde.
     2. Disse, em outra ocasião, que tenho re-lido  Humberto de Campos, Rubem Alves, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Bilac, Quintana e boa parte da obra de Rubem Braga, o sabiá da crônica. Todo cronista tem obrigação de ler e reler os livros desse capichaba, filho ilustre de Cachoeiro do Itapemirim. 
     3. Não esqueci de Josué Montello. Acabei de ler, dele, "A mais bela noiva de Vila Rica", um belo livro contando o namoro de Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, a Marília, com Tomás Antônio Gonzaga, o Dirceu. A história de Marília de Dirceu, que deu origem ao conhecido e aplaudido poema. 
     4. Voltando à estante onde estão os livros de Montello, tirei para reler, o "Anedotário Geral da Academia Brasileira de Letras. Nele, o autor de "Tambores de São Luís" , no seu fulgurante estilo, conta mais de uma centena de pequenas e interessantes histórias envolvendo alguns membros da Casa de Machado de Assis. 
     5. Como moro em Salvador, tudo que diz respeito à encantadora Bahia me chama a atenção. Foi assim que, à página 288 do "Anedotário" encontrei uma historinha com este título: "Como Rui Barbosa começou". Concluí, imediatamente, que a historinha devia ser recontada. Não com minhas palavras, mas com as do próprio Montello, posto que, insubstituíves. 
     6. Vamos lá. "Numa festa literária do Ginásio Baiano, de que era aluno, proferiu Rui Barbosa, aos onze anos de idade, um discurso tão bem conectado e redigido, que mais de uma pessoa indagou ao Dr. Abílio Borges, futuro Barão de Macaúbas, Diretor do Colégio, se o mestre, com o seu saber e sua experiência, não havia colaborado na oração do discípulo.
     E tamanho foi o entusiasmo dos presentes ao saberem que o discurso havia sido todo ele escrito pelo menino, que o poeta Muniz Barreto pediu imediatamente a palavra, para recitar este improviso: 
          Admira numa criança
          O engenho, o critério, o tino
          Que possui este menino
          Para pensar e dizer.
                    Não, não me iludo na minha
                    Bem firmada profecia: 
                    Um gigante da Bahia
                    Na tribuna ele há de ser.
     E a profecia se confirmou: como todos nós sabemos, o maior tribuno da Bahia brilhou até em Haia, onde foi chamado de águia.
     7. Como afirmei, há outras historinhas, eruditas e lúdicas, trazidas por Montello para o seu "Anedotário Geral da Academia Brasileira de Letras"; Academia onde ele, Montello, destacou-se como um dos maiores nomes entre os homens cultos que lá "morejam". 
     8. Até onde sei, esse interessante livro, há tempos, está com sua edição esgotada. Nunca mais voltou às livrarias. Dia desses, querendo dar um exemplar de presente a um amigo, tive que recorrer ao velho sebo. Lamentável.  
     
                    
             
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 10/07/2020
Alterado em 10/07/2020


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