Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

           São Francisco é diferente


     1. Nos meus guardados de ex-seminarista franciscano repousam boas anotações e bons recortes que me ajudam a escrever sobre São Francisco de Assis, além das dezenas de livros que tenho sobre ele. 
     2. Disse, em diversas ocasiões, que tenho o privilégio de ter Francisco de Assis como meu santo protetor. Na pia batismal, deram-me o nome de Francisco. Creio, que a partir daí, o Poverello passou a andar comigo de dia e de noite. Estás repetindo essa história? Estou. E daí?
     3. Ao longo do tempo, fui admitindo que essa companhia, de fato, existe, frequentes são os favores que tenho recebido desse incomparável santo italiano. A cada graça alcançada com sua intercessão, repito a observação feita pelo saudoso escritor Josué Montello, um declarado devoto seráfico, e que aqui transcrevo.
               "Mas é bom voltar a São Francisco de Assis. Por alguns episódios de minha vida, tenho a consoladora impressão de que este santo, se não me acompanha, pelo menos faz sentir que me protege. Eu, por meu lado, faço subir até ele, nas ocasiões adequadas, os sinais de minha devoção". 
     4. Tudo o que encontro sobre o santo das chagas, recorto e se posso, guardo, com cuidado e carinho. E sempre que me disponho a reencontrá-lo, usando o teclado do meu Notebook, volto a esses preciosos recortes recolhidos em jornais e revistas. 
     5. A  um desses valiosíssimos recorte recorri para escrever minha crônica do dia 4 de outubro, dia do enterro de São Francisco, pois, ele morreu no dia 3, no chão da igrejinha da Porciúncula em Assis, que conheci numa de minhas visitas à Terra do "Alter Christus", o Poverello. 
     6. Fui buscar no imortal (ABL) Josué Montello, um Evangélico, o que dizer, este ano, na Festa de São Francisco. Não tive outro caminho; desejava escrever, inspirando-me no livro "São Francisco de Assis e a poesia cristã", do temido Agripino Grieco. Naõ tenho esse livro. Procurei-o, até nos sebos de Salvador e de outras praças. 
     7. Montello publicou, faz alguns anos, em um dos grandes jornais do país, acho que o "Jornal do Brasil, nos seus tempos áureos, um artigo com este título: "Meu encontros com São Francisco". Um belíssimo depoimento de amizade e carinho escrito por um Evangélico sobre um santo católico. 
     8. Vejam o que contou Montello sobre o seu amigo Francisco. Que certa ocasião, estando "no pequeno apartamento onde tenho uma máquina de escrever... uns discionários, uns velhos autores do meu carinho e admiração", em São Luís do Maranhão, seu torrão, quando soube pelo porteiro que alguém o procurava. 
     9. Que mandou subir e que a pessoa trazia um enorme quadro, dele ouvindo o seguinte: "Vim trazer-lhe este São Francisco que acabei de pintar". Este São Francisco, escreve Josué, "está dominando o aposento, para me proteger, quando estou dormindo, ou lendo ou para me acompanhar, dando-me bons pensamentos quando estou escrevendo. Louvado seja Deus". 
     10. Esse episódio, ele contou ao seu amigo da Academia Brasileira de Letras, Alceu Amoroso Lima (1893-1983), e do Tristão de Athayde, pseudônimo do Alceu, ouviu esta observação: -      "Muita gente pensa que os santos, por serem santos, têm a cara amarrada, aborrecidos com os nossos pecados. São Francisco é diferente. São Francisco tem bom humor. Saber rir é saber perdoar". 
     11. Já que neste momento estou na saudável companhia do santo dos santos, o Pobrezinho de Assis, faço-lhe este pedido: Francisco, você que foi um defensor incondicional da Mãe Natureza, apaga, com um sopro, as labaredas que estão consumindo criminosamente as matas brasileiras. 
     Olha, Francisco, nessas arrasadoras queimadas estão morrendo os animais que tanto defendeste. Silenciando passarins como os que, no dia 3 de outubro de 1226, cantaram, nos beirais da Porciuncula, aplaudindo tua chegada no céu...  Pax et Bonum!
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 03/10/2020
Alterado em 03/10/2020


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