Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

           Escrevendo
           sobre eles




     1. Muito diferente deste pífio cronista, um tanatófobo juramentado, assumido, o memorialista Antônio Carlos Villaça, segundo seus biógrafos, foi "frequentador assíduo de enterros. Não perdia um... Onde soubesse de um morto, emendava direto para o cemitério". Estranho? Não. Afinal o homem era um memorialista.
     
2. Tenho o seu livro "Os saltimbancos da Porciúncula".  Não poucas vezes tenho voltado a ele; apesar, de nas suas páginas, o ilustre memorialista dá preferência a figuras importantes que já morreram.
     Por exemplo: Astrojildo Pereira, João Cabral e Zé Américo, Mario Quintana, Gilberto Freyre, Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava. Estranho? Não. Afinal o homem era memorialista. 
     
3. Procurando imitar o saudoso Villaça, sem, contudo, pretender alcançá-lo na sua cultura e farto conhecimento, me propus, também, a escrever, vez em quando, uma pequena crônica sobre poetas e escritores que estão entre os meus preferidos, na leitura diária.
     Alguns de meus leitores, ainda jovens, consultados, aprovaram o meu projeto, que agora inicio.
     
4. Começo pelas estrelas do Maranhão, a Atenas brasileira. É o Estado natal de brasileiros do mais elevado gabarito no mundo das letras. De lá, são: Coelho Neto, Humberto de Campos, Artur e Aluísio Azevedo, Gonçalves Dias, Ferreira Gullar, Josué Montello, Raimundo Correia e, por que não, José Sarney.
     
5. Minha crônica, hoje, é sobre Odylo Costa, filho. Brilhante jornalista, cronista, novelista, poeta... tudo isso, Odylo foi, na sua passagem por aqui.  Nasceu em São Luís no dia 14 de dezembro de 1914 e morreu no dia 19 de agosto de 1979, no Rio de Janeiro. Morreu novo: 64 anos!
     
6. Odylo não morou sempre no Maranhão. Ainda criança, mudou-se para o bom Piauí. Em Teresina fez os cursos primário e secundário.      Viveu duas cidades: São Luís e o piauiense Campo Maior, onde encontrou seu grande amor, dona Maria de Nazareth Pereira da Silva Costa, com quem casou, em 1942. Foram seus padrinhos os poetas Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.
     
7. Com 16 anos, Odylo deixou o Nordeste e foi morar no Rio de Janeiro. No Rio, formou-se em Direito e trabalhou em importantes jornais, pois, adorava a profissão de jornalista. Mas não deixou de lado sua carreira de escritor e poeta.      Seus livros e suas poesias levaram-no  à Academia Brasileira de Letras. 
      Na política, vendo nele um homem de "elevado nível cultural", o senador José Sarney levou-o para o Senado Federal, como seu suplente.
     
8. Um momento triste na vida do belo poeta maranhense: o assassinato do seu filho, 18 anos, vitima de latrocínio. Aconteceu em 1963 no bairro carioca de Santa Teresa. O criminoso, um menor, foi perdoado por Odylo. Alegou que o sicário era uma das "vítimas de problemas sociais"; e que "meninos não podiam ser julgados como adultos".
     
9. Obras poéticas do vate Odylo Costa, filho: "A face e o rio", Boca da noite", "Notícias de amor", "Anjos em terra", "A vida de Nossa Senhora", "Cantiga incompleta" , "Tempos de Lisboa" e "Os bichos no céu", onde fui buscar os versos para fechar está modesta crônica:

       São Roque e os cachorros
     
     Caminhou São Roque/ a pé, pelos morros/e várzeas da Terra,/juntando os cachorros/ =  já velhos ou doentes,/ sem osso e sem lar,/ para oferecer-lhes/ um grande jantar. = São Pedro zangou-se:/ - "Isso não se faz!/ Jantar de cachorros no Céu? É demais!" = Jesus disse: - "Roque/ é quem tem razão."/ Pedro riu-se, e logo/ deu-lhes vinho e pão.


     
10. Quem será o próximo, logo o meu amado leitor saberá. Sempre uma coisinha simples, objetivando trazer de volta poetas e escritores que, se vacilar, continuarão escondidos nas dobras do tempo, cruel, em alguns momentos. 

  
     

  
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 19/04/2021
Alterado em 15/07/2021


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras