Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

          Fanfarrões no espaço
                    sideral

     1. Desde Yuri Gagarim (1934-1968), acompanho os passos dos homens no espaço sideral. Esse russo corajoso, no dia 12 de abril de 1961, a bordo da nave espacial Vostok-1, deu um ousado pulinho lá onde se supõe que os óvinis moram. Com Gagarim, começou a corrida espacial. 
     
2. O solitário cosmonauta soviético viu a Terra de longe. E surpreendeu os terráqueos com duas interessantes declarações: que não encontrou Deus por lá e que nosso planeta é azul. Comunista desde que nasceu, se tivesse visto Deus lá por cima, jamais teria dito. Sabia-se que a Terra era redonda, mas que ela era azul, foi Gagarim que descobriu. Não sei por que não disse que era vermelha.
     
3. Um certo dia, ou mais precisamente às 20h17m do dia 20 de julho de 1969, os astronautas norte-americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin, finalmente,  "alunissaram" , assombrando o mundo. E ouviu-se: "Um homem na lua? Um homem na lua? Isso é mentira", falavam os amantes do nosso encantador satélite.
     
4. É verdade. No primeiro momento, poucos acreditaram na extraordinária façanha selenita. No primeiro momento, não, pois, ainda hoje, lá pelos cafundós desse Brasil imenso, tem gente garantindo que essa história de homem na lua não passou de deslavada mentira. 
     
5. Quando os homens pisaram no chão da lua, interrompendo o admitido silêncio claustral que a envolve, escrevi uma crônica atirando pedras no pessoal da NASA.  Xinguei muito os técnicos e cientistas do Cabo Canaveral, que visitei anos depois, ainda com raiva daquela gente.
Impressionou-me, porém, o tamanho e a beleza das naves em exposição.
     
6. Por que essa raiva toda?  A zanga era de um cronistas romântico, nos anos 60, inconformado com a ousadia dos terrestres invadindo a lua. A "lua branca" de Chiquinha Gonzaga, nossa maestrina; a lua de Catulo da Paixão Cearense; a lua das canções  amorosas; dos luares e das serestas; a minha lua... 
     
7. Para o indignado cronista, Felipe Jucá, concordando com a marchinha carnavalesca, a lua era dos namorados e de mais ninguém. Deles, em noite de idílio pleno. Ângela Maria, num dos carnavais do século passado, cantava:

     "Todos eles estão errados 
     A lua é dos namorados
     (repete)
     Lua, oh lua
     Querem te passar pra trás
     Lua, oh lua 
     Querem te roubar a paz
     Lua que no céu flutua
     Lua que nos dá luar
     Lua, oh lua
     Não deixe ninguém de pisar. "

     
8. E o furdunço, no espaço sideral, voltou com o rescente pouso de uma nave norte-americana no planeta Marte. Desta vez a televisão mostrou tudo. Não há como se duvidar. Alcançado Marte, os terráqueos esperam que os cientistas digam se valeu gastar bilhões de dólares com o programa marciano.
     
9. Depois da conquista do planeta Marte, esperava-se que a paz, nem que fosse aparente voltasse a reinar nos outros mundos, que flutuam na nossa galáxia. Eis que, milionários norte-americanos e ingleses,  que chamo de fanfarões,  gastaram uma nota para botarem as cabeças fora da Terra. Fizeram o que eu diria uma farra na entrada do espaço sideral. Dez minutos e milhões de dólares e euros gastos.
     
10. Tudo bem. O dinheiro é deles e eles gastam como quiserem. Diante dessa desmensurada gastança, me pus  a meditar, e, ao final, a me perguntar: esses fanfarrões do espaço sideral não estariam fazendo melhor doando toda essa grana aos "Médicos sem fronteira" que vivem, nas TVs, pedindo esmolas para salvar vidas? Respondam-me, por favor!    
           
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 02/08/2021
Alterado em 02/08/2021


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