Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

               Caetano e Sampa


                                   E os novos baianos te                                    podem curtir numa boa
                                        Caetano Veloso


     
1. Com dois filhos, há décadas, morando em São Paulo, vez em quando dou um pulinho lá.      Como minhas estadas na capital paulista são apenas para bater pernas, aproveito para rever ou visitar locais que me dão a certeza de que estou mesmo em Sampa.
     
2. Por exemplo. Vou à Avenida Paulista, curtindo-a da Consolação ao Paraíso. Já fiz esse percurso, a pé, algumas vezes. Coisa de matuto.      Em seus bares, paro e peço um chope geladíssimo. E me ponho a admirar as mulheres paulistanas, no seu pra-lá-e-pra-cá, elegantíssimas. Os homens não menos chiques.
     
3. Fico por ali, até ouvir o ronco do primeiro trovão anunciando que vai chover forte. Quando o céu escurece, entro em um Shopping qualquer ou no cinema mais próximo e fico aguardando a procela passar. Os pés-d'água de São Paulo amedrontam mas não demoram.
      Essas tempestades vespertinas paulistanas acontecem, desde os tempos do Padre Anchieta, que as registrou em um de seus escritos.
     
4. Olha, fico impressionado como os aviões, em tardes de tempestade, cortam a cidade e pousam em Congonhas, cujo nome oficial é, acho que poucos sabem , Aeroporto Deputado Freitas Nobre, cearense de Fortaleza. Nasceu no dia 24 de março de 1921 e morreu no dia 19 de novembro de 1990. 
     
5. São gostosas as noites frias de São Paulo.      É a hora dos botecos da Vila Madalena e dos restaurantes da Joaquim Távora, na Vila Mariana. É a hora do bom vinho.
     A noite paulistana torna-se ainda mais agradável quando a garoa cai (agora menos), deixando o céu cinzento. Ah! A São Paulo da garoa!
     
6. Como em qualquer cidade, grande ou pequena, São Paulo também tem aqueles locais que uma crônica, um poema ou uma canção os tornaram célebres para sempre. É o caso, por exemplo, do cruzamento da Avenida Ipiranga com a Avenida São João. 
     Caetano Veloso,  com o belíssimo samba-canção "Sampa", fez desse cruzamento um postal com a cara de São Paulo. 
     
7. Nelson Motta, no seu livro "101 canções que tocaram o Brasil", admite, claramente, ser o samba-canção "Sampa" uma "espécie de hino nacional de São Paulo".
     Concordo plenamente com o respeitado crítico musical, sem esquecer outra canção que também lembra a capital paulista: "Ronda", de Paulo Vanzolini.
     
8. Muito bem. Estou lendo, na Folha de São Paulo, que a prefeitura paulistana vai revitalizar  o cruzamento da Ipiranga com a São João. Nada mais justo e oportuno.
     Custo das obras: R$4.8 milhões. Pouco importa o gasto. São Paulo tem bastante dinheiro para custear a revitalização do célebre cruzamento, conhecido no mundo todo. E repito: graças a Caetano Veloso. 
     
9. Agora uma má notícia. Caetano Veloso não será homenageado, como homenageados serão Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini, que terão suas estátuas erguidas em pleno cruzamento.      Além dos dois consagrados compositores, no mesmo local, subirão estátuas de um fotógrafo lambe-lambe e de um tocador de realejo, que nem mais existem por lá, foi o que me disseram.
     
10. Estou aqui, protestando: uma tremenda injustiça com o nosso genial Caetano. Sem ele, o mais importante cruzamento de avenidas de São Paulo não estaria nos olhos do mundo.
     Não digo que Vanzolini, com "Ronda", e Adoniran, com "Saudosa maloca", não façam jús à homenagem. Mas por que não Caetano também? Principalmente ele?
     Olha, os que impedirem a homenagem a Caetano, com a implantação de sua estátua no cruzamento da Ipiranga com a São João, serão, sem bricadeira, inapelavelmente castigados pelos "deuses da chuva", num desses temporais que frequentemente abalam Sampa.          


 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 23/09/2021
Alterado em 23/09/2021


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