Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

                    Emília Corrêa Lima

 

 

          1. Morreu no Rio de Janeiro, na madrugada do dia 4 de fevereiro deste ano, 2022, Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955. Do meu Estado, ela nasceu no dia 10 de abril de 1934 em Sobral, importante cidade do Ceará. Façamos as contas e veremos que ela morreu um pouquinho antes de completar 88 anos.

          Mando pêsames para Nelson, Marília, Emília e Anna Cecília, seus filhos, e pra seu marido, o engenheiro do Exército brasileiro, Wilson Santa Cruz Caldas, admitindo esteja ele ainda vivo.

          2. Emília, com 21 anos, foi eleita Miss Ceará representando um dos clubes sociais mais queridos de Fortaleza, nos anos 1950, o Maguary. Linda, tinha tudo para ser Miss Brasil e foi, em concurso realizado no luxuoso Hotel Quitandinha, no Rio. 

          Recebeu a coroa das mãos de uma das mulheres mais bonitas do Brasil, em todos os tempos, a baiana Martha Rocha, que conheci pessoalmente. Ela frequentava o Porto da Barra, ótima praia de Salvador, chamando atenção, sua extrordinária beleza. 

          3. Como um dos milhares, em todo o Brasil, no romantismo exagerado dos meus vinte anos, também empolguei-me com a nova Miss Brasil. Diziam-me os colegas de imprensa que era clara minha "paixão" por ela.  Nunca dava respostas. Sabia que "paixão" por Emilia tinham todos os brasileiros, do Oiapoque ao Chuí. Nunca vira unanimidade tão marcante numa eleição de misse. Tinha certeza de que, em Long Beach ela seria eleita Miss Universo. Não foi, mas figurou entre as finalistas, confirmação inescusável de sua beleza. 

          4. Não conheci Emília pessoalmente. Sabia, entretanto que ela seria como a escritora Rachel de Queiroz a descreveu, em carta publicada nos jornais, saudando-a como Miss Brasil. Disse Rachel, com a simplicidade que marcava seus textos, que na terra de brevilíneas, Emília era uma "longilínea perfeita"; e completou: "uma maravilhosa exceção". Com sua caneta cheia de ternura, Rachel disse de Emília o que ninguém melhor poderia dizer. E foram muitos os que escreveram sobre ela! Sempre com a pena adocicada.

          5.  Quando Emília foi eleita Miss Brasil eu trabalhava, como copidesque, no "Diário do Povo", combativo jornal do saudoso Dr. Jáder de Carvalho, brilhante e respeitado jornalista cearense.  Por que não dizer, também temido, porque destemido.

           Eu, estudante do Liceu do Ceará, e alguns colegas, passamos a frequentar a coluna "Escrevem os estudantes", cedida por Doutor Jáder, sem impor qualquer tipo de censura.

          Ao lado do meu amigo, o saudoso poeta e jornalista Carvalho Nogueira, o Jaderzinho, quantas crônicas escrevemos, os dois, para nossas amadas... Nunca fomos proibidos de escrevê-las. Sabíamos que elas adoravam...até hoje?

          6. Foi aí que tive a audácia de escrever uma crônica para Emília. E escrevi, dando-lhe este imponente título : "Emília, exemplo de beleza e cultura". Publicada, resolvi levá-la à miss no seu endereço, na Rua ou Avenida Carapinima; o número, não me recordo.           Coisa de jovem no fulgor dos seus vinte anos.  Hoje, beirando os 88, nunca me arrependi de tê-lo feito. Poderia transcrevê-la, aqui, na íntegra, pois a tenho guardada nos meus arquivos mais queridos. Não o faço para não cansar meus diletos leitores; poucos deles, daquele tempo; sobreviventes. 

          7.  Animei-me, porém, em transcrever dois tópicos de minha crônica para Emília, saudando, como disse, sua eleição de Miss Brasil. Lá pras tantas escrevi: MIGUEL ÂNGELO desceu á Terra para presentear o Ceará e o Brasil com uma de suas obras D'arte de maior perfeição, esculturando Emília. E mais adiante, muito entusiasmado: Seu preparo intelectual vem retocar sua formosura helênica. Vê-se, claramente, a redação de um iniciante no jornalismo, mas de uma sensibilidade sem limites... Preocupava-me, naquela ocasião, dizer bem o que eu sentia. 

          8.  Nunca soube se Emília havia recebido minha crônica; e nem que a tenha lido no "Diário do povo", que fechou com ela. Entregando no seu endereço, confirmava minha admiração pela jovem miss. Atitude de um moço inda dominado por seus mais puros sonhos.

     Pois é. Acabo de ler a notíca de sua morte. Lembrei-me, com saudade, da Emília de 1955. E me vi aquele foca, ousando homenagear, com todo o seu vigor,  a bela Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955. Descanse em paz, rainha da beleza, título que jamais lhe será tirado. Nem a morte, com toda sua crueldade..

           

Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 05/02/2022
Alterado em 29/03/2022


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