Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos

               Os santos e a pandemia

 

          1. Na minha última crônica, fui muito atrevido. Pois não é que tive a ousadia de censurar Deus! Censurei-O porque achei (e continuo achando) que Ele, adorado por seus filhos como um pai misericordioso, não está ajudando o bastante à humanidade na sua incansável luta contra a pandemia que se abate sobre a Terra que ele criou, segundo a Bíblia 

          2. Com a sua publicação aqui, no "Recanto das Letras", perguntando por Deus, as opiniões sobre este cronista se dividiram e eu já esperava.  Para uns, eu havia falado por muitos e a pura verdade. Para outros, eu fora apenas um falastrão, tratando de assunto que pouco conhecia. Utilizara meu Notebook pra escrever bobagens. Juro que não me abespinhei com a crítica negativa  e nem me envaideci com a crítica positiva. Disse e pronto.

          3. Alguns críticos perguntaram se eu não estava arrependido. Respondi-lhes que, até o Padre Antonio Vieira teve seus momentos de exaltação, chegando até a censurar Deus. Recordei-lhe o sermão em que o grande pregador disse: "Ainda que nós somos os pecadores, Deus meu, vós haveis de ser hoje o arrependido..." Este "Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda" ele pronunciou na igreja da Ajuda, aqui em Salvador, no pequeno púlpito que permanece até hoje no mesmo lugar. O padre Vieira estava zangado com Deus.

          4. Enquanto isso, continuo esperando do Altíssimo uma providência efetiva para por fim à pandemia. Não é possível, leitores amados, que a humanidade continue sendo massacrada e dizimada por um virus vindo sabe de onde? das profundezas dos infernos.           Chegou caladinho esfolando e matando em todos os continentes. No Brasil, até na mais escondida comunidade indígena, no coração da amazônia, sem contato com o mundo poluído.

          5. Posso garantir, que nunca os cristãos do século 21 podiam imaginar que Deus, que bota o homem em Marte, permitisse que um virus dessa periculosidade entrasse nas casas de seus filhos sem pedir permissão e fazendo aquele estrago. Nunca podiam imaginar, que da noite pro dia, qualquer de seus filhos fosse parar na solidão de uma UTI ou num buraco de sete palmos em um cemitério que não seria o seu. Partindo sem dizer adeus; embrulhado e sem ter tempo de sentir saudades...

          6. Esperavam, isso sim, que Deus, com um divino basta, acabasse a cruel pandemia que há mais de dois anos inquieta o universo. Nunca mais aquele beijo e abraço, carinhoso e demorado, em quem se ama; em quem se quer bem. Se, por um impulso qualquer, se infringe a regra, fica aquela cruciante dúvida, se está ou não contaminado. Se transmitiu ou adquiriu Covid-19. É um sofrimento, até que a ciência dê o seu veredicto.

     7. Quando Deus quer, atende imediatamente seus filhos que Lhe pedem socorro.           É o Deus bondoso, pai amoroso, o Deus misericordioso. No momento que o mundo atravessa, esse Deus ainda não - me perdoem dizer - compareceu. Peço por muitos, apenas, que Ele se faça presente e feche as UTIs e os hospitais e postos de saúde. Que dê ao médico o poder de curar a Covid-19. Ah, mas os homens não colaboram: não rezam. Mas numa pandemia morrem os ímpios e os que vivem de terço na mão. 

          8. Resta apelar para os santos. Aqueles que, por isso ou aquilo, o cristão escolheu como seu protetor. Aqui em Salvador tenho um formidável exemplo. Nos anos 1686 e 1855, primeiro a febre amarela e depois a cólera tomaram conta da capital baiana.           Naquele tempo, quando a medicina engatinhava, só restava os céus. Foi pensando assim, que os soteropolitanos apelaram para um santo jesuíta chamado Francisco Xavier.  Não é que as duas pestes se mandaram! Pela intercessão de um modesto santo, Deus, o misericordioso, abraçou o pleito dos baianos de São Salvador.

          9. E a paz voltou a reinar entre os salvadorenses. Tempos depois, surgiu um movimento visando entregar Salvador a São Francisco Xavier, fazendo-o seu padroeiro.           A Igreja aceitou a ideia e o papa decretou, em 10 de maio de 1686. Desde esse tempo, nunca mais Salvador foi massacrada por qualquer tipo de epidemia. E prosseguiu como a cidade mais alegre e mais feliz do Brasil.   

                                                        

Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 14/02/2022
Alterado em 15/02/2022


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