Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos


                            Um Papa

                    na cadeira de rodas

     

                                         Habemus Papam!

 

          1. O Papa Francisco está usando uma cadeira de rodas. Problema sério em um dos seus joelhos não deixa que ele se locomova com a desenvoltura dos papas modernos que, como se sabe, fazem longas e cansativas viagens, levando a países distantes a palavra do pastor maior da Igreja Católica. 

          2. Desde Paulo VI (1963-1958), o primeiro papa a viajar para fora da Europa, tornou-se aconselhável que os pontífices gozem de boa saúde. Fazem viagens para terras longínquas, de fusos horários diferentes e de cardápios estranhos aos oferecidos pela cozinha da Santa Sé. Não falo das acomodações porque devem ser as melhores.

          3. Francisco na cadeira de rodas. Não permita Deus que façam com esse papa o que fizeram com o Papa João Paulo II.  Eu tinha uma pena enorme do Papa Wojtyla vendo-o, nos últimos dias de sua vida, insistir em falar pro mundo, visivelmente atingido pela moléstia que o impedia até de falar. Muito triste o que aconteceu com o papa polonês que não teve coragem de renunciar na hora certa. 

          4. Agir como o Papa Bento 16 que não pensou duas vezes para descer do trono petrino, tão logo notou que a velhice e a saúde o impediam de dirigir a Igreja de Cristo. Embora se diga que foram outros os verdadeiros motivos que o levaram à renúncia: teriam sido as pressões dos purpurados conservadores contrários às reformas que ele vinha aos poucos implantando no Vaticano. 

          5. Com a notícia da doença de Francisco e suas aparições em cadeira de rodas, começaram a circular rumores  sobre sua renúncia. Li, que a partir de 27 de agosto deste ano, a Igreja terá 132 cardeais eleitores. Segundo o acreditado teólogo Fernando Altemeyer Junior,  "do total dos eleitores, imensa maioria , 83, foi nomeada por Francisco - 38 por Bento XVI e 11 por João Paulo II". Com certeza, a esta altura, o papa argentino já tem, "in pectore" , o nome do seu sucessor. 

          6. Nessa história de sucessão pontifical, gostaria de dar uma opinião que, com certeza, não é somente minha. Que os futuros papas sejam culturalmente bem-preparados, líderes comprovados e autênticos, sadios e novos em idade. O mundo moderno exige que seja assim. Não é aconselhável eleger papas de idade avançada, frequentadores assíduos das farmácias, clínicas e hospitais. Por último, um papa experiente e respeitado na Terra e no Céu. 

          7. Ao ver Francisco em cadeira de rodas, repito, fico constrangido. Acontece no exato momento em que o mundo mais necessita da presença física de um bom guia espiritual. Sua presença, por exemplo, na Ucrânia, conforme prometera, seria benéfica e consoladora. É o papa que chega sem canhões e sem bombas destruidoras; chegando "in nomine Dei". 

          8. Vendo o papa Bergoglio em cadeira de rodas, voltei ao tempo em que os pontífices, Tiara na  cabeça, eram transportados, solenimente, nas famosas Sédias Gestatórias, tronos pontifícios carregados nos ombros de doze católicos privilegiados.           Ainda alcancei esse tratamento quase "divino" dispensado aos sucessores de São Pedro, muitos deles não merecedores da distinção.

          9.  Pelo que esse papa tem feito para preservar a unidade da sua Igreja, admitindo-a pecadora, porém, santa, de-ver-se-ia abrir uma exceção, permitindo-lhe usar a Gestatória, pelo menos nas solenidades litúrgicas no Vaticano. Não faltarão ombros para ajudá-lo a caminhar sem as dores que o estão impedindo de participar das solenidades papais. Será uma homenagem justa e legítima a um Pontifex Maximus que vai deixar saudades...

             

Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 17/06/2022
Alterado em 18/06/2022


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